ENTENDA A ELEIÇÃO

Como a eleição funciona,
com fonte para conferir.

Cinco assuntos que costumam gerar dúvida, explicados em frases curtas. Cada parte aponta para a fonte oficial, para você conferir por conta própria.

Quando existe 2º turno?

Para ganhar a eleição para presidente já no 1º turno, um candidato precisa de mais da metade dos votos válidos. Isso se chama maioria absoluta.

Votos válidos são os votos dados a candidatos. Votos em branco e votos nulos não entram nessa conta.

Se ninguém passar da metade, acontece um 2º turno entre os dois mais votados. Não existe um mínimo para o segundo colocado: ele vai ao 2º turno mesmo com poucos votos.

A Constituição marca o 1º turno para o primeiro domingo de outubro e o 2º turno, se houver, para o último domingo de outubro. Em 2026, são os dias 4 e 25 de outubro.

Cenário 1: alguém passa da metade

  1. Candidato A: 51% · vence no 1º turno
  2. Todos os outros, somados: 49%

Candidato A tem mais da metade dos votos válidos. A eleição termina no 1º turno.

Cenário 2: ninguém passa da metade

  1. Candidato A: 48% · vai ao 2º turno
  2. Candidato B: 15% · vai ao 2º turno
  3. Candidato C: 14%
  4. Candidato D: 12%
  5. Candidato E: 11%

Ninguém passou da metade. Há 2º turno entre A e B, os dois mais votados — mesmo que B tenha só 15%.

Linha tracejada: metade dos votos válidos (50%). Candidatos e números são fictícios, só para explicar a regra.

Como funcionam as pesquisas?

Uma pesquisa eleitoral não conversa com todos os eleitores. Ela ouve uma parte, chamada amostra. A amostra é montada para se parecer com o eleitorado inteiro: mulheres e homens, idades, regiões, escolaridade e renda nas mesmas proporções.

É como provar uma sopa. Se a panela foi bem mexida, uma colherada basta para saber o gosto de tudo. Se não foi mexida, a colherada engana. Por isso, importa como a amostra é escolhida, e não só o tamanho dela.

Margem de erro e nível de confiança

Como ouve só uma parte das pessoas, a pesquisa faz uma estimativa. A margem de erro diz quanto o número pode variar, para mais ou para menos. Com 40% e margem de 2 pontos, o valor estimado fica entre 38% e 42%.

O nível de confiança diz com que frequência essa faixa acerta. Com 95% de confiança, se a mesma pesquisa fosse feita 100 vezes do mesmo jeito, em cerca de 95 delas a faixa calculada (de 38% a 42%, no exemplo) incluiria o número real.

Uma pesquisa mostra um retrato do momento em que foi feita. Ela não é o resultado da eleição.

Quantas pessoas uma pesquisa ouve?

O Brasil tem 158.745.463 eleitores aptos a votar em 5.571 municípios, segundo o TSE. A tabela mostra o tamanho da amostra de 2 pesquisas nacionais para presidente registradas no TSE, em ordem alfabética. Os resultados de intenção de voto não aparecem aqui: o objetivo é mostrar como a amostra é montada.

Pesquisas nacionais para presidente: tamanho da amostra
DatafolhaQuaest
Número do registro no TSEBR-04029/2026BR-06004/2026
Datas da pesquisa (registro no TSE)*15 a 17/09/202617 a 20/09/2026
Pessoas ouvidas2.0022.004
Municípios visitados127120
Média de pessoas ouvidas por município15,816,7
Parte dos 5.571 municípios do país2,3%2,2%
Margem de erro2 pontos, para mais ou para menos2 pontos, para mais ou para menos
Nível de confiança95%95%
Onde conferirPesqEle PesqEle

Dados do registro de cada pesquisa no PesqEle, o sistema do TSE, consultado em 22/09/2026. Os municípios foram contados na lista de locais de entrevista anexada ao registro. A média por município e a parte dos municípios do país são contas feitas com esses números.

* As datas são as do registro no TSE. Outras publicações informam datas um pouco diferentes para a pesquisa do Datafolha.

Como conferir uma pesquisa no PesqEle

Pela lei, toda pesquisa eleitoral divulgada ao público precisa ser registrada na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação. Qualquer pessoa pode consultar o registro:

  1. Abra o PesqEle, sistema de pesquisas do TSE.
  2. Em “Consultar Pesquisas”, escolha a eleição “Eleições Gerais 2026”.
  3. Digite o número de identificação que aparece na divulgação (por exemplo, BR-04029/2026) e toque em “Pesquisar”.
  4. Abra a pesquisa e confira quem fez, quem pagou, as datas, o número de entrevistas, a margem de erro e como a amostra foi montada.
  5. No fim da página, há arquivos com o questionário e com os bairros e municípios onde as entrevistas foram feitas.

Quem precisa votar?

No Brasil, o voto é obrigatório para quem tem de 18 a 70 anos e sabe ler e escrever.

O voto é facultativo — a pessoa escolhe se vota — para três grupos:

  • jovens de 16 e 17 anos;
  • pessoas com mais de 70 anos;
  • pessoas que não sabem ler ou escrever.
Engano comum: muita gente acha que o voto facultativo vale só para jovens e idosos. A Constituição também inclui as pessoas que não sabem ler ou escrever (art. 14, § 1º, II).

Em 2026, 158.745.463 pessoas estão aptas a votar, segundo dados do TSE divulgados em 20/07/2026.

Para quem tem voto facultativo, votar é uma escolha. Ser cidadão, não. Se você pode votar, vote!

Como a urna eletrônica é conferida?

Em vez de pedir que você simplesmente acredite, a Justiça Eleitoral tem etapas de conferência que partidos, instituições e o público podem acompanhar. Veja o que cada uma permite conferir e onde ler mais.

Teste Público de Segurança (TPS)

Antes da eleição, o TSE abre os sistemas da urna para especialistas e pesquisadores tentarem encontrar falhas. Quem encontra um problema também precisa propor uma solução. Segundo o TSE, o que é achado é tratado antes da eleição. Na edição de 2025, integrantes das comissões do teste disseram que não houve achado relevante até o encerramento.

O que permite conferir: se pessoas de fora da Justiça Eleitoral conseguem encontrar falhas nos sistemas.

Teste de Integridade

Na véspera da eleição, urnas já prontas para uso são sorteadas em cerimônia pública. No dia da votação, votos escritos em cédulas de papel são digitados nessas urnas, com gravação em vídeo. No fim, o resultado da urna é comparado com a contagem do papel. Segundo o TSE, o teste é feito desde 2002 e nunca registrou diferença.

O que permite conferir: se a urna registra e soma exatamente os votos que foram digitados.

Boletim de Urna (BU)

Quando a votação termina, cada urna imprime um boletim com os votos daquela seção. Uma via fica na porta da seção, para qualquer pessoa ver, e fiscais de partidos podem pedir cópias. O boletim tem um QR Code que pode ser lido pelo celular.

O que permite conferir: se o resultado de cada seção é o mesmo que entra na soma oficial.

Auditorias

Quem tiver interesse pode pedir uma auditoria, isto é, uma conferência da urna e dos programas da eleição. O pedido precisa explicar o motivo e dizer quais locais serão conferidos. Entre o que pode ser conferido, o TSE lista:

  • um código calculado a partir de cada programa (resumo digital, ou hash). Ele funciona como uma impressão digital: muda se o programa for alterado;
  • uma nova impressão do boletim de urna;
  • se o boletim impresso na seção é igual ao que chegou ao sistema que soma os votos;
  • a assinatura digital dos arquivos, que mostra que eles vieram da Justiça Eleitoral;
  • o código-fonte, que é o texto dos programas. Ele fica lacrado e guardado no TSE.

O que permite conferir: se os programas e os resultados são os mesmos registrados pela Justiça Eleitoral.

Para se aprofundar

O vídeo abaixo é um complemento. As fontes oficiais acima são o ponto de partida para conferir cada etapa.

Vídeo “H4CK34NDO AS URNAS!”, do canal Copas. Material de terceiros, indicado como complemento. Ao tocar, o vídeo é carregado do YouTube.

O que fazem os três Poderes?

A Constituição divide o poder em três partes, independentes e que precisam funcionar em harmonia (art. 2º). No nível federal:

  • Executivo: governa e administra. É exercido pelo presidente da República, com a ajuda dos ministros.
  • Legislativo: faz as leis e fiscaliza os atos do Executivo. É o Congresso Nacional, formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.
  • Judiciário: julga os casos com base nas leis. O Supremo Tribunal Federal (STF) tem como função principal guardar a Constituição.
Vídeo “Entenda o sistema político no Brasil - OS 3 PODERES - de um jeito SIMPLES”, do Canal Nostalgia, a partir de 2min02s. Material de terceiros, indicado como complemento. Ao tocar, o vídeo é carregado do YouTube.